01/02/2013

{{: CORPOUVIDO

meus ouvidos vivem presos atrás das portas das almas.
verifico sem a menor vontade, o desejo e o medo recônditos.
meus ouvidos andam abarrotados de zunidos graves que se acham discretos... mas, não são.
escuto com as vistas embaçadas aquela velha história arrependida que todo coração traz.
escuto uma certa ponta de altivez no gesto encantador da moça vazia, vazia.
escuto o cansaço e os ossos afinando de excelentes mães gordas.
escuto o sexo da moça, chamando o sexo de todas as outras moças para masturbações minúsculas.
escuto o cheiro do pau do velho, que só sente saudades.
escuto a tristeza do meu vizinho e sua put, escutando "la paloma".
escuto a folga do amor maduro e podre.
escuto os passinhos perdinhos dos homens em seus mini-labirintos de fibra ótica.
escuto as maçãs, as pêras, o barro e o bigato sem lugar no mundo.
escuto meu coraçãozinho bobo.

escuto e calo e não fumo. segredos óbvios causam gastrite.

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