11/10/2026

{{: marinheiro meu

um gosto de quem veio de muito longe, guardando o sol nos pelos. 

marinheiro enlouquecido, com as ondas do mar nos cabelos, constantemente saindo de uma tempestade. 

mira muito longe, paisagens insinuantes, desastres poéticos. 

"o horizonte é sempre assim, nebuloso?" - pergunta-se. 

a bandeira vermelha da paixão para colorir todos os cais. 

quando chega em minha cama, tem histórias de coragem e solidões infinitas.

minhas pernas, seios e boca são todo o seu mar sem fim. 




{{: bárbaro objeto

todo lustre é um mostro brutal

com seus tentáculos de luz

fere a vista da beleza e ofende a claridade da manhã

odeia a lua, despreza as estrelas

gosta apenas de madeira de lei e tafetá original

também não gosta de gente

gostaria apenas de amassar-lhes os miolos

com todo o seu peso e impiedosa glória.





{{: mar hematoma e margaridas

o labirinto de conchas

ressoa uma música misteriosa 

as cortinas de pérolas oscilam entre corais

o tenor do mares, o fundo tenebroso daquilo que é abissal

canta as

saudades, paixões, segredos de estado

e o

extermínio 

das sereias 

e dos 

campos de girassóis de van gogh. 

{{: durações das pérolas

na paisagem opulenta da minha esperança

constelações de grãos em flor

vermelhos das solidões, extremos vermelhos

tudo vibra, as temperaturas ásperas e as pedras do tempo

o rio adoçou

as margens dançam ao sabor da brisa, libertam-se

em cada gomo da tangerina

dois sóis


caem dos meus pensamentos

açúcares razoáveis e filosofias verdes

caem dos meus sonhos

ternuras sedosas, cintilantes


raios solares cremosos perfumam as margaridinhas 


o horizonte é uma enorme baleia

ela desliza

entre as espumas, entre as nuvens , nas chuvas da primavera

e canta 

para o futuro oceânico 

onde os fios d´agua 

entrelaçam 

cores inéditas. 

26/08/2026

sinuosalícia

dentra finos e finas e fios de cor 

fundo de mim é pétala

aos toques das veludas, afundo 



Georgia O'Keeffe

24/08/2026

:: futuro

Quando caminhava nas estrelas

Quando o sol pingava mel em minha boca

Quando o âmbar queimava os pensamentos

Quando ventou colorido

Quando amanhecia nas polpas

Quando o amor

Quando: nunca a miséria

Quando as mãos brilhavam

Quando o chão embarreava

Quando a poeta sorria

Quando as pessoas perfumavam as plantações de macieiras

:: divina diária

 ganho um dia

e 

dou um poema 

para deus



18/08/2026

:: caganeiros

 cagança birulenta

bolsobosta

naneira mole, miolo apodrecido

eleições cuzistas

cocô

e

mandatos na merda. 




16/08/2026

:: alfabetização e mortes poéticas

 eu escrevo 

para ter o que declamar quando for velha

vou sentar-me a beira da varanda de algum abismo

e ler os meus poemas

diante da morte

sem mantras

sem terços ou rezas

apenas 

eu

e 

os versos 

de uma vida inteira. 




:: farfalhar de imagens, estilhaços de nuvens

milhares de pequenos espelhos

brincam 

nas copas

das palmeiras

ao vento






:: sinfonia insólita, para céus famintos

nove pássaros

instalam uma estranha manhã

cinco são ainda filhotes, chamam a lua

dois, um casal procurando ninhos

uma passarinha é viúva

e o canto mais alto 

é de um pequeno pássaro amarelo

ele está confuso

olha o ypê sem flores este ano

e chora

não consegue entender a primavera. 




15/08/2026

:: as doces sombras, sempre frescas

 a noite, o vento batendo na janela

uma vontade de estar em uma estrada, sob as estrelas de van gogh

parar o carro e me sentir desterrada

finalmente estrangeira, azulada

esse lugar lá, com tinturas guias

essa noite tão pintada por todas as pessoas com um sono de cor imensa

em suas casas, nos cantos das praças, nos hotéis, nos berços

sou todas elas, as desconheço, mas são importantes para mim

estar na terra oculta, encontrar piedosos matizes

para esquecer as compaixões do peito

e de tudo que respira. 





09/08/2026