08/02/2026

túmida

 a carne tingiu-se toda 

clama alguma aquarela para os próprios ossos

quer deitar-se em raios de sol, quer os pelos dos cristais 

trêmula, a carne observa a velha que ainda arde e deseja

ressente-se da finitude, fala mal com os anjos

por dentro das coisas por dentro de tudo: 

vasos, vestidos de seda, mãos calosas, barrigas de grávida

a carne dá de comer ao amanhã vermelhos tão tenros

que no agora, a carne não aguenta tanto

umedece, resplandece e sucumbe. 




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molhem o orquídea...