26/01/2026

o casamento - nelsu rodrigues

 terminei o livro casamento, do nelson rodrigues. 

que perturbeira. 

não indico a ninguém. 

se a elite carioca é tão podre como ele retrata, o sem noção é esse homem que não foi embora assim que percebeu o ninho de gente vil, no qual ele estava. 

as pessoas vão enlouquecendo, porque levam vidas cozidas na futilidade, no poder e na grana. 

gente que se só faz peso na terra. que não faria diferença nenhuma, caso não tivesse existido. 

quer dizer...não é bem assim. gente que se não tivesse existido, haveria menos guerra, incesto, violência e exploração. 

é isso que cansa nesse livro. sim nós somos complexos, contraditórios de forma geral. 

mas, as personagens do livro, que aparentemente são contraditórias, não são na verdade. é um tanto de gente que gira em torno do mesmo vórtice: a escrotidão. elas só vão escrotizando-se. 

não há uma única ambiguidade genuína. somente interesses chapados, numa realidade que vai ficando espiritualmente hostil. 

na semana que terminei esse livro, lembrei de várias coisas ruins que aconteceram comigo e que eu tinha esquecido. 

não sei se literatura serve para isso. se a tal boa literatura é também como um coveiro a remexer em ossos, uma exumação poética inútil.  

caso seja, que pena...que pena investirmos tanto nestes afetos acessíveis, nessas promoções sentimentais, neste velho postulado de que as pessoas não prestam mesmo, no fundo no fundo. 

sou desconfiada disso. 

talvez, a tristeza, o caos,  sejam as camadas mais superficiais, a que temos a mão. especialmente porque somos folgados para karalho. não acreditamos tão bem assim que devemos dar um trampo para viver. acreditamos que somos merecedores porque já somos muito tristes...que conversa fiada, que argumento tacanho. 

talvez a alegria, a exuberância, sejam camadas mais profundas da vida, por mais que se diga o contrário, aos desavisados. 


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