09/03/2015

{{: sobre NINGUÉM ser qualquer pessoa - como toda fruta, por dentro da casca, ainda somos polpa.

todo mundo é único.
as combinações, os tons, as proporções, são em cada indivíduo absolutamente únicos.
a pessoa inteira é uma digital singularíssima.
isso, dentro... antes de ir ao encontro do mundo e objetivar esta interioridade especial, porque única.
quando vamos mediatizar aquilo que nos compõe, através de nossas relações e encontros, a coisa vira uma massa previsível e todos os pingos estão nos is.
como se despedir, como sentir amor, como sentir raiva, como se sentir produtivo, como demonstrar interesse, estão dados em formas capsuladas, que inclusive os manuais de auto-ajuda tem algo sim a dizer, porque qualquer receita pode ser traduzida.
e as coisas que possuem um teor um pouco mais livre e com uma porção, ainda que sutil, de autenticidade, estão num campo menos nobre e sofisticado, por exemplo, as pessoas são muito criativas na forma de abandonar, ofender, produzir solidão e auto flagelo.
por quê isso?
o que há entre nossos vulcões e furacões e vegetações e faunas e flores e sabores internos que quando postos em conexão com o mundo, a coisa vira uma pasta amorfa e enjaulada?
as respostas são muitas e vale a pena refletir sobre.
no entanto, também vale a pena, pensar meios concretos de lidar com isso.
acredito que encarar o território de origem de si possa ser um meio de encontrar a fonte e beber dela. é óbvio que isto implica num lugar menos racional, onde as coisas não são nomeadas tão claramente, não há dualidade nem ambiguidade, mas ambivalências. e isto, pode nos remeter a um debate surpreendente com aspectos dos nossos desejos.
estamos aqui falando de nossa parte tenra. como todo fruta, por dentro da casca, ainda somos polpa.
 há uma mentira necessária  expressa no modo aceitável de viver e sobreviver hoje.
experimentemos e cultivemos formas legítimas de dizer aquilo que queremos e sentimos.
e isso não tem nada a ver com provocar uma alteração drástica no que fomos até agora.
mas, se você tem algo especial a dizer à alguém, não compre um cartão. se você foi machucado, não sente no vaso sanitário da decepção. se você quer ir embora, não abra as mãos e solte tudo como uma criança de três anos. se você quer outra política, pense sobre o amor.
o que VOCÊ tem a dizer sobre o que quer dizer? não olhe somente para fora para encontrar respostas. não olhe somente para fora para escutar as perguntas necessárias.
pode ser que seja muito estranho o que você tem o oferecer. e aqui, existe um ponto importante de generosidade. quando não estamos falando a língua oficial, precisamos ajudar os outros a entender nossa linguagem especial, e este é um exercício de ternura e amadurecimento.
pode ser também que você comece a se relacionar diferente com as noções de tempo, porque as estações internas, não são apenas quatro, os dias podem durar um olhar certeiro e a translação da terra pode, vez ou outra, parar com a respiração diante de um assombro, um poema, ou uma injustiça.
onde é que você está vivo?
podemos até ser um bando de zumbis calçando jeans e malhas por fora, mas, dentro tudo é sangue vermelho, coração pulsando, pulmão cheio e vazio, retinas vibrando. este talvez, seja um lugar  que nos dê vitalidade e glória de ser gente.


"E como começo de caminho 
quero a unimultiplicidade 

onde cada homem é sozinho 
a casa da humanidade."

(Tom Zé)

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