08/05/2015

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o coração boiando num tonel de pinga ao ar livre refletindo as nuvens e todas as possíveis chuvas de daqui a pouco
tudo solto e mole dentro tudo despregado
irradiada no vento
todos os barulhos da cidade escutados da janela do carro com sua furiosa passagem pelos ouvidos para lugar nenhum
todas as sextas-feitas antes de todos os sábados até a morte dos dias
o amor dentro da fechadura de uma porta, respirando um buraquinho apertado, sempre virginal, rosa e cheio de sonhos de alumínio
as rodas das bicicletas paradas esperando pernas e sangue para as pernas
as plantas dançando idiotas na sensualidade da brisa. toda sensualidade é idiota
a velha mais bonita do mundo esperando nada mais que deixar de esperar sem precisar morrer
a toalha úmida como meu coração
o fogão com molho de tomate

o portão e o vento, juntos barulhando este momento seco

viver poderia ser só um assovio
o canto de um passarinho preto
o trinca-ferro contínuo

filme: a outra terra

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