os cavalos de helberto são inalcançáveis, por mais que se possa montar neles por um tempo
todas as suas estrelas, mulheres e dentes de leão são verdadeiramente o que deveriam ser, mas nunca podem ser de fato nossos amigos íntimos
seus poemas nos levam às alturas, somente para nos arremessar no nada, lá de cima, como se a poesia toda do mundo não coubesse dentro da terra e precisasse parar de respirar no espaço sideral, para poder, enfim, respirar com o pulmão de todas as galáxias e seus buracos negros e escuros coloridos.
ele é um pouco mal. dá de comer somente ao que já está saciado e deixa morrer de fome o que não sabe pedir poesia
não são poemas para qualquer um. é preciso ser um arremedo de poesia, algo fracassado, uma coisa absolutamente incompleta para resistir ao estrondo que irá quebrar todos os espelhos e transformar estilhaços cortantes em alimento iluminado para gargantas que querem e precisam ser abertas, que precisaram ampliar-se para engolir uma profusão de gostos e sabores.
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a noite entrou pelo olhar da lua
encontrou na íris lunar tesouros acumulados
eras de prata e colares de estrelas
pendendo no olhar, brilhos enlouquecidos pelo madre pérola
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caminhei como um cão gigante e rubro
faminto, devorei ossos de por de sol
latia em latim
depois mais alto, em grego
grunhidos vermelhos de socorro
por carinhos que estavam muito distantes no horizonte ensanguentado
passivo resignei
tombando lixos com corações, romãs apodrecidas, chamas esquecidas
não encontrei casa, nem dono, nem cadela
tornei a caminhar
como um cão, sozinho.
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as horas colocaram vestidos de noiva e aguardaram no altar
brancas sedas e tafetás do tempo roçando expectativas
esperando maridos de futuro, esperando a chegada do cumprimento das promessas
as horas, teceram véus muito delicados para tampar seus rostos infantis
se tornariam mulheres quando pudessem dançar valsas
que as libertassem, como se fossem anjos.
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vamos pegar um trem, vamos pegar o trem dos absurdos
seguir os trilhos que nos levem para dentro das árvores
vamos viajar longamente vendo passar paisagens arruinadas por nossa solidão
vamos no comboio da loucura, arrancar nossos cabelos no dente e colar os fios em nossas costas, pra ver se conseguimos fazer asas
não arrume nenhuma mala, não precisa de bilhete
é um trem abandonado, anda a esmo, sobrevoa aviões e tempestades.
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molhem o orquídea...