que sacada genial dizer que bicicletas voadoras comeram as distâncias entre os sonhos de meninos azulados de fome, assim como o céu que encurta sua sede com as tempestades que assolam plantações artificiais e telhados de zinco.
mas, é bem certo que isso nada resolve a fome de crianças, de cavalos abandonados. é mais certo ainda que isso, nem de longe, deixa que moleques da favela possam montar nas tais bicicletas para finalmente alcançarem os pés de algum milagre que os trate com dignidade.
metáforas servem para que, e afinal?
cristo, o senhor das metáforas, espalhou pão, vinho e muitas delas por aqui, mas assim que pode subiu aos céus, tão apressado que nem usou um ovni, um avião, os pássaros do pequeno príncipe.
os poetas abarrotados de metáforas... a maioria passa fome ou passa raiva com as próprias metáforas que criam, imagens de sentimentos e sonhos que os acossam, perturbam e liberta no espaço de uma solidão implacável.
então, ficamos nesse debate antigo e medonho do pra que serve isso, se aquilo...
seria bom que agora eu desse uma guinada estupenda, que defendesse com unhas e dentes de ouro a existência das metáforas e que inclusive falasse bem direito sobre como elas nem precisam ter utilidade para existirem e ficarem por ai, com os peitos de fora, jorrando leite de estrelas grávidas.
mas, o que eu acho mesmo, é que, hoje, as metáforas, pobres coitadas, estão tão fodidas quanto nós.
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molhem o orquídea...