31/08/2016

{{: VIDA URBANA

arrancaram o pé sem cabeça da razão e colocaram o pé de santo antônio nos pilares do argumento
as conversas estão sendo inspiradas no cerrado, retorcidas e esperando alguma chuva que as salve
todo olhar transformou-se em semáforo, amarelos desencontros
as poças d´agua refletem edifícios, tampadas estão as nuvens
os planos de carreira são de cocaína empreendedora
as famílias miseráveis sentam-se na calçada, por conta do calor infernal de sua convivência diária
acabou o açúcar da região
as urnas eletrônicas vão funcionar com manivelas da ignorância
virtuais caravelas aportam em invasões bárbaras nos celulares
minha vó posta nudes
todas as crianças aprenderam a odiar
o brasil ganhou cinco medalhas na copa do desbunde
o ônibus cortou a cidade levando manadas manadas manadas manadas
o asfalto está com frio
o carro da pamonha emite um discurso coerente: "- quem não é uma pamonha hoje em dia?"
adolescenteS continuam se beijando na esquina sombria com o poste quebrado há dois anos...amadureceram sob a escuridão
a presidente foi prostituída
as praças e os terrenos baldios, junto com as baratas e os ratos e as camisinhas usadas entoam uma ciranda popular
as cinzas dos cigarros, dos caretas e dos de maconha, escrevem no chão a palavra:
CINZA-VILIZAÇÃO

{{: des-amor-te

dóia de pele
faltudo no ex-p-aço, que suas mãos ruminaram meus nervos de aço
uma murada entornada se fez no coração
e
entardec-eu
e
tem cordilheiras de sombras

26/06/2016

exploda meu cérebro com o tiro de sua porra

{{: HK 
às vezes, a poesia está dentro do buraco do tijolo, por trás do reboco. e aí...marretada vira rima.
um soco, uma porrada, a boca do estômago estourada e pronto... lá vem a poesia.
ferimento que precisa de ponto no pronto socorro. e ponto de exclamação, reticências, interrogação e virgula.
eu fico olhando o absurdo que dá ordem ao meu dia.
as dores mais comuns dos homens mais comuns, ditas num português errado e sem ter quem compreenda o coração latejado de vida.
uma atriz no palco balançando as tetas e ninando todas as suas dores, com rivotril de adrenalina.
um músico bêbado, triste, fazendo um chorinho pros copos vazios de lágrimas.
as florezinhas do jardim cuidadinho, velando os medinhos do proprietário de sua natureza organizadinha.
um padeiro olhando o pão que não cresceu. tão grandes e cotidianos são os olhares mergulhados em poesia..
poesia não tem avesso, nem dentro. está por aí...e tem a medida do coração das pessoas.
cercas elétricas, muros com pedaços de vidro, vidros blindados, berços, portas trancadas, nada segura a poesia e seu calibre intenso.
às vezes, a poesia estoura seus miolos e te dá pânico, arritmia.
ressurreição, não é só coisa de religioso não. nem milagre, nem macumbaria. é também, coisa de alma artista.
se você reparar bem...perigosamente poética é a vida.

27/02/2016

{{: lindo, de água e chão

dentro-vo-lhos envios muito diz,tantes
cartas em bronquiôs 
escritas em papoulas da índia 

no juntadinho das palavras, perguntam-se enterrogamentos escuros
que querem a luz da ressu-citação-te

- caro querido amado meu
no perfume da tua nuca manchada de hematoma meu
fica minha toda eu.
pois, dada tamanhona entrega de si-minha
quero saber, como precisa saber uma pessoa dos terremotos que ocorrerão,
meu peito, assim, todo arado de amor,
pode flor-arte?

https://www.youtube.com/watch?v=bG22D31_LCY
https://www.youtube.com/watch?v=t6BJA2krmjw

01/01/2016

{{: de vlão em dlão

esse poema vai começar do começo
depois vai em ondas
você vai cair em outro lugar porque rodopiou o circulo do entender
assim: tá num lugar e depois tá noutro parecido  com esse
porque é tudo gente pingando no meio das pernas
os pingos não marcam o caminho
porque tem o mar
e no mar tudo virá tudo uma coisa só - água, pingo, gente, amplidão
então, quer dizer
não tem como saber onde você estava e pra onde está indo
porque eu posso falar que tô com o dedo na minha bucetinha
e isso vai te intrigar
caso eu estivesse falaria sim aqui no poema
não sabemos, portanto, se este é o caso
mas que bobagem uma bucetinha molhada ser o mote de um poema
melhor falarmos de
melhor falarmos de...

chuva
isso, melhor a chuva
que é tão poética e deixa tudo tão dentro de outro dia
não...não queremos falar realmente de chuva

queremos
queremos...
é. ééééé

queremos travar uma conversa poética
afinal, eu não posso fazer um poema porque estou com vontade de dar
não é mesmo? ah. se fuder. falei merda, é claro que posso

este poema é uma sublimação da minha vontade de meter
e podemos chamá-lo de: gemidão da moça

{{: pavio de querozona - para o bo-fo-guete

ah ah ui
poeminha safado de quinta categoria
ordinária inspiração: pau duro

fiafia enmim, socaboca
                                  de
                                  de

                                   ...
                                   lícia

*tremura na carnenhazinha

ô menina! floridos lábios tão escorregatelos, lambigudos, tenruhmmm.
de comer toda vontA-A-A dinha
                                 

07/12/2015

{{: cavala



pingadinha tu tua
tremidentra 

deixo viscosa tua razão

{{: guindastes&segredos

vento verde
musgo roxo
pele branca

olha esta paisagem?

e tudo pendurado num canto do desespero
respirando
aliviado...colorido...


{{: das 14 às 18 e trinta

coloquei sobre a mesa um pote de botões coloridos
esquentei água pra fazer café
bati a massa para um bolinho de chuva
assisti a dois filmes mudos
tranquei os vidros
acordei meu cachorro que estava tendo pesadelo
não comprei um sapato que não me servia
estou cansada, desiludida e viva 
fazendo esta poesia